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“You Are The Harvest” reviews

Ponto Sonoro (blogue) (13/03/2013)

Rádio A21: “Yesterday, projeto vencedor do Termómetro Unplugged de 2006, está de regresso”

A Trompa: “O regresso de Yesterday” | “The return of Yesterday”

Unidade 304 (crítica PT): “Aviso prévio para que seja, desde já, muito claro: “You Are The Harvest”, o novo trabalho de Yesterday é, indiscutivelmente, o disco mais mágico e bonito que alguma vez ouvi de um compositor leiriense e é, sem restrições de qualquer ordem, eleito como um dos discos nacionais com maior personalidade e propensão artística de sempre. É claro que esta é a minha opinião e é claro, também, que o que escreverei sobre este disco, não o tornará, infelizmente, mais conhecido…

Yesterday, que a sombra teima em manter na penumbra, não é algo que aparece do nada, embora o hiato a que Pedro Augusto (o multi-instrumentista e mentor do projecto) se remeteu após a sua participação no Fadeinfestival 2004 e a sua vitória no Termómetro Unplugged 2006, nos possa fazer parecer. É que nem o seu trabalho de 2009, “Eu já cá estive antes”, todo cantado em português, levou o músico a sair da toca, ele que, quiçá num gesto de hedonismo muito particular, nem sequer “publicitou” a existência desse registo…

Chegamos assim a “You Are The Harvest”, um disco de pop misteriosa, feito de canções tecidas por indeléveis programações electrónicas e de teclados com soluções elegantes e harmoniosas. A voz de Pedro Augusto (que muitas vezes de desdobra em delicados coros) é aveludada, quase sussurrada, e é uma das imagens de marca deste ressuscitar fulgurante de Yesterday. O primeiro sinal de agrado pelas canções de Yesterday é dado pelo corpo que se sente logo estimulado aos primeiros acordes e que em nenhum momento dos 33 minutos das 10 canções que compõem este disco mostra sinais de desconforto ou rejeição. A “velocidade” com que passa o tempo é outro sinal premonitório de que algo aqui está correr muito bem.

“The Calling”, o tema de abertura, dá o mote para o ambiente geral do disco. Vocalização inventiva, ambiente com algum empolgamento rítmico, e letra num inglês bem escrito. “The Trip” segue a mesma estirpe estética mas acrescenta-lhe uma guitarra típica de cantautor sem, contudo, fechar demasiado a música no formato comum a esse universo de artista solitário. “I already feel the pain of goodbye” é uma das muitas frases bonitas que se cantam neste disco. Chegamos a “We Are The Trees” e encontramos o primeiro momento em que o compositor revela o seu estado de maturidade. Tudo nesta canção é perfeito. As melodias, as vozes, as mudanças que se operam, com espaço, sem nuances abruptas… Aliás “espaço” é de novo o substantivo que nos ocorre em “The Promise”. É espantoso o espaço que existe em canções de relativa curta duração. A forma como estão compostas, sem precipitações de qualquer ordem, são sinais evidentes da vincada e já referida maturidade composicional de Pedro Augusto.

“The Movement” é o tema mais “nervoso” do disco. É o que tem o ritmo mais dançável se bem que aqui o termo dançável não seja mais que induzir um ou outro pé a um batimento inadvertido ou um leve abanar de cabeça sincopado de forma quase inconsciente. “This Is not you” realça as soluções electrónicas de Yesterday e sublinha as apetências vocais de toada delicada e suave que pairam nesta obra. “I am hanno” é um lindíssimo tema ambiental que deambula com trocadilhos feitos com as palavras do título. Chegamos ao tema homónimo do álgum: “You Are The Harvest”. Por esta altura já estamos francamente arrebatados e rendidos ao disco, mas este tema leva-nos ao tapete e vence-nos por K.O. técnico. A toda kraut do ritmo, as melodias fantasiosas e mágicas (na verdade, há um misticismo neste disco que nos remete para um imaginário território florestal povoado por duendes e criaturas de feições maravilhosas e inexplicáveis) forçam-nos a vénia e deslumbram-nos completamente. “Hibernation”, com os seus quatro minutos e trinta, para além de ser o mais longo do disco, é o tema que mais se aproxima de um ambiente angélico e celestial. A voz ganha um estranho contorno litúrgico que nos aproxima de uma espiritualidade e paz de explicação difícil. Todas as músicas de natal deveriam ser assim! E a letra… Tão simples e tão bela: “Hibernation until I see you. I only feed off words until I see you”… A canção mais colorida e de formato mais convencional fecha o disco: chama-se “Riding our bicycles” e é um delicioso e suculento pedaço de pop sumarenta e adocicada, sem contudo, pertencer à família das pops que enjoam ou provocam congestões…

Pedro Augusto criou um disco que cresce e se revela a cada audição, muito longe, portanto, dos cânones da música descartável de consumo imediato, mas também não confinado num intervalo hermético de um qualquer exercício de masturbação intelectual inacessível ao comum dos mortais. Volto a repetir: este é um disco mágico e bonito. E acrescento: deveria ser de audição obrigatória. “You Are The Harvest” é uma obra com potencial comercial? Não. Mas é um disco com um potencial emotivo como em poucos ouvi. E será agora que Yesterday “dará o salto” e ficará conhecido? Não. E nem precisa. Música tão boa como esta não é para se desperdiçar por aí em ouvidos que não merecem…” (Carlos Matos)

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(Full extended review EN): “A notice in advance so that it becomes very clear from the start: “You Are The Harvest”, the new album by Yesterday is unarguably the most magical and beautiful album I have ever heard from a songwriter from Leiria and is, without restrictions of any kind, elected as one of the national albums that has more artistic personality and propensity since always. Of course, this is my opinion and it is also clear that what I write here about this record will not make it, unfortunately, better known …

Yesterday, that the shadow insists on keeping in the half-light, isn’t something that appears out of nowhere, although it may seem so due to the hiatus that Pedro Augusto (multi-instrumentalist and mentor of the project) went himself under after his participation in the Fadeinfestival, in 2004, and his victory in the Termómetro Unppluggedd, in 2006. Not even his 2009 album “Eu já cá estive antes”, entirely sung in portuguese, made the musician come out of his shell, he who, perhaps in a very particular act of hedonism, did not even “advertise” the existence of such recording…

We therefore arrive at “You Are The Harvest”, a mysterious pop album, made of songs woven with indelible electronic programming and keyboards with elegant and harmonious solutions. The voice of Pedro Augusto (which often multiplies into delicate choruses) is velvety, almost whispered, and is one of the hallmarks of this dazzling rise of Yesterday. The first sign of appreciation for the songs is given by the body, that feels stimulated right from the first chords, and, at no point of the 33 minutes that make the album, does it show signs of discomfort or rejection. The “speed” at which time goes by is yet another foretelling sign that something is going really well.

“The Calling”, the opening theme, sets the tone for the overall mood of the record. Inventive vocals with some upbeat rhythm and well written english lyrics. “The Trip” follows the same aesthetic strain but it adds a typical songwriter’s guitar without, however, enclosing the song in the common style associated with these artists’ lonely universe. “I already feel the pain of goodbye” is one of the many fine verses that are sung on this record. We arrive at “We Are The Trees” and find the first moment where the songwriter unravels his songwriting maturity. Everything in this song is perfect. The melodies, the voices, the changes that occur, with space, with no abrupt nuances… Moreover, “space” is again the term that comes to mind in “The Promise”. It’s amazing the space that exists in relatively short songs. The way they are built, with no hurry of any kind, are stark and obvious signs of the aforementioned songwriting maturity of Pedro Augusto.

“The Movement” is the most “nervous” theme on the album.  It has got the most danceable beat, although the term “danceable” is not more than the induced slight movement of the feet or a light headshake syncopated in an almost unconscious way. “This Is Not You” highlights Yesterday’s electronic solutions and outlines the gentle and delicate vocal melodies. “I am Hanno” is a beautiful environmental theme that roams with word plays made with title. We arrived at the namesake’s song of the album: “You Are The Harvest.” By now, we are caught up and honestly surrendered to the album, but this theme makes us fall and get defeated by technical knockout. The whole kraut rhythm, melodies and magical fantasy (actually, there is a mysticism in this record that leads us to an imaginary forest populated by goblins and creatures of wonderful and inexplicable features) force us to bow and dazzle completely. “Hibernation”, with its 4:30 minutes, besides being the longest song on the album, is the closest to an angelic and heavenly atmosphere. The voice takes on a strange liturgical outline that brings us closer to a hard to explain sense of spirituality and peace. All Christmas songs should be like this! And the lyrics … so simple and so beautiful, “Hibernation until I see you; I only feed off words until I see you”…  The most colorful and conventional song finishes the album: it’s called ” Riding our bicycles” and it is a delicious and juicy piece of pop, without, however, belonging to the family of  that kind of pop that sicken us or cause us congestions…

Pedro Augusto created an album that grows and unravels itself at each listen, way far, therefore, from the canons of  that disposable music for immediate consumption, but also not confined to a tight range of any intellectual masturbation exercise, inaccessible to ordinary mortals. And add: it should be of mandatory listening. Is “You Are The Harvest” a work with commercial potential? No. But it is a disc with an emotional potential like I have heard in few. And, is it now that Yesterday will make the jump and become known? No. And he doesn’t have to. Music as good as such should not be wasted in the ears of those who do not deserve it…  (Carlos Matos)

Portugália 2.0, Antena3: “Chegou a vencer uma edição do festival Termómetro, mas despareceu sem deixar rasto. Foi, por isso, com surpresa que voltamos a ouvir o projecto Yesterday. Construído sobre pormenores subtis e inspirados, “You are the harvest”, o disco que gravou o ano passado e que espera edição, revela um autor surpreendente.”  (Henrique Amaro)

Unidade 304: “…o  estrondoso álbum “You Are The Harvest” (Carlos Matos)

“Eu já cá estive antes” reviews (não foi publicitado | not released)

 “Colder Hands” reviews |  “Once upon a forest” reviews

 “WARning” reviews (não foi publicitado | not released)

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17/01/2014 – O vídeo para o “The Movemnt” passa no programa da RTPi, POPLUSA.

17/01/2013 – Entrevista para o Jornal de Leiria

Jornal de Leiria | 17/01/2013 | Jacinto DuroJornal de Leiria | 17/01/2013 | Jacinto Duro

17/01/2013 – Entrevista para a Preguiça Magazine

Yesterday | Preguiça Magazine | Foto: Ricardo Graça

Pedro Augusto tem um trajecto invulgar. Ganhou o Festival Termómetro Unplugged em 2006 mas não se passou nada. Tem cinco discos que nunca editou, e está já a preparar o sexto. Será que é desta? Nunca a música celestial teve um espírito tão punk!

E se um projecto musical se desse a conhecer ao mundo através de um best of? Neste caso bem podia ser, pois após cinco discos francamente bons, era uma pena não se aproveitar o que Pedro Augusto, o mentor de Yesterday, tem feito desde 1999.

A Preguiça tem um pressentimento que este 2013 lhe vai correr bem, e por isso foi falar com ele, a sua casa, ao seu sótão, onde aproveitou para gravar a segunda edição do Palco Preguiça que podem ver na página para o efeito deste mesmo site.

Ao perguntarmos o óbvio – porquê? – Pedro Augusto, com toda a calma, ainda se ri e começa por dizer que, na verdade, anda a brincar com isto tudo, na medida em que um disco tem um princípio e um fim, daí chamarem-lhe álbum. Mas na realidade o que ele faz é outra coisa; não é um produto vendável, é apenas algo que ele gravou.

Como este magazine ouviu as suas canções e gostou tanto, a Preguiça teve de fazer uma segunda investida, e perguntar novamente porquê, se nunca procurou a edição? Pedro Augusto diz que sim, e ri-se novamente. “Já procurei, mas… (risos) para mim, o processo de gravação é aquilo que me dá mais prazer. Quando começa a outra parte de mostrar as músicas, transformar aquilo num produto, e perceber como é que as vou tocar ao vivo, perco completamente a vontade. Às vezes tenho assim um bichinho que me diz para ir para a frente, mas depois eu canso-me (risos).”

Aí as coisas começam a clarificar-se melhor e, como diz o povo: não é defeito, é feitio. Há que respeitar. Indo mais a fundo no estranho mundo de Yesterday, em 2009 Pedro Augusto lança um disco (maneira de dizer) em português intitulado Eu Já Cá Estive Antes. Mais uma vez, e perdoem caros leitores se a Preguiça se torna repetitiva, mas a pergunta foi novamente… porquê? E a resposta foi outra vez surpreendente.

O Termómetro Unplugged podia ter sido uma coisa muito boa, mas para mim foi uma espécie de maldição.

“Eu nunca tinha cantado em português, porque nunca tinha encontrado os sons. Porque para mim a letra não é bem aquilo que se está a dizer: dou mais importância ao som da própria palavra, e como ela é dita na melodia. E foi nessa altura que encontrei finalmente aquilo que procurava, porque comecei a falar mais com os meus avós. Eles tinham montes de estórias que se tinham passado, e às vezes diziam frases que os avós e bisavós deles já diziam, e aquilo tudo começou a tornar-se uma espécie de melodia dentro da minha cabeça, e assim nasceu o disco em português. Mas, tal como todos os outros, terminou.”

Por coincidências cósmicas, este vosso escriba estava presente na plateia em 2006, quando Pedro Augusto ganhou, no Teatro Sá da Bandeira no Porto, o Festival Termómetro Unplugged. Na altura também participaram os Born A Lion (da Marinha Grande), que ficaram na terceira posição. A Preguiça quis saber como foi a experiência, e o motivo de não ter havido continuidade, já que por lá já passaram vencedores como os Silence 4 (de Leiria) ou os Blind Zero (do Porto).

“O Termómetro Unplugged podia ter sido uma coisa muito boa, mas para mim foi uma espécie de maldição. Foi precisamente nessa altura que me apercebi de que tinha de fazer alguma coisa com as músicas, e não estar apenas aqui no sótão a gravá-las. Mas isso assustou-me muito, e não quis ter mais nada a ver com isso.”

Pedro Augusto tem-se combatido a si próprio e, de vez em quando, sente que tem de fazer alguma coisa. Então lá manda umas demos (já não se diz demo tape, pois não?). Cada vez que o faz, corre bem, corre mesmo muito bem. Já foi selecionado para um Festival em Las Vegas, foi um dos escolhidos para participar na colectânea Novos Talentos Fnac 2012 e foi também um dos vencedores da Mostra Jovens Criadores 2012.

Não querendo ser muito místico, parece que há aqui um padrão, um certo toque de Midas: o tal que, tudo onde tocava, transformava em ouro. Assim sendo, e apesar das perguntas por parte da Preguiça – aqui me penalizo – serem fraquinhas (três porquês lá no meio, tipo criança a fazer birra), mas também quando o entrevistado é interessante a coisa flui, nada melhor do que terminar a entrevista com o supra-sumo de todos os clichés. Sim, já adivinharam: “E planos para o futuro?”

Pedro Augusto diz que não sabe. “Há sempre muita coisa nova a sair no mercado, e eu não sei como é que eles conseguem. Eu bato às portas e não acontece nada. Mas se calhar é culpa minha pois, como disse há pouco, também não me esforço muito, porque me farto. O último disco já passou. Estou agora a pensar no próximo.”

A Preguiça quer só fazer um aviso à navegação. O projecto Yesterday, de Pedro Augusto, é um dos tesouros nacionais mais bem guardados. No fim da entrevista foi gravado o vídeo para o Palco Preguiça, com a canção “September”, que faz já parte do próximo disco. Quando a escutarem, vão perceber o que este magazine quer dizer com a palavra tesouro. É um trajecto que começou no passado, merece um presente, mas sobretudo, um futuro.

Texto de Pedro Miguel
Foto de Ricardo Graça

11/01/2013 – Entrevista para a Antena 1, com Sandy Gageiro

29/06/2012 – Anúncio para o concerto em Leiria – Acrenarmo. Artigo de Manuel Leiria.

01/06/2012 – Entrevista para o “Região de Leiria”. Artigo de Manuel Leiria.

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